domingo, 14 de junho de 2015

Nomofobia, o medo de ficar sem celular


É uma fobia ou sensação de angústia que surge quando alguém se sente impossibilitado de se comunicar ou se vê incontactável estando em algum lugar sem seu aparelho de celular ou qualquer outro telemóvel. É um termo muito recente, que se origina do inglês: No-Mo, ou No-Mobile,que significa Sem telemóvel. Daí a expressão Nomofobia ou fobia de ficar sem um aparelho de comunicação móvel.

"Distanciamento ao invés de aproximação"

Mais do que paixão, um vício; dependência exacerbada por telefone celular já é tratada como doença similar ao alcoolismo.

Você é nomobofóbico? A palavra pode até parecer estranha, mas seu significado está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas. Se você não é um nomofóbico (confira significado no quadro), com certeza conhece alguém que parece ser. Basta observar se a pessoa não consegue desgrudar do celular, seja na hora de dormir, comer e até mesmo de tomar banho. O aparelho tem, aos poucos, se tornado uma espécie de extensão do corpo humano. Em alguns países, inclusive, a dependência do celular já é tratada não só como questão individual, mas como problema de saúde pública.
Apenas o aviso de que a bateria do celular está para acabar, por exemplo, já apavora o empresário Romário Sena. “É desesperador. Fico antenado 24 horas e durante toda a noite o celular fica carregando, porque posso receber uma ligação a qualquer minuto. Quando eu acordo, a primeira coisa que faço é conferir as mensagens que chegaram”, diz.

Parece algo comum, mas essa necessidade de checar o celular a cada cinco minutos, ou de não suportar a ideia de ficar longe do aparelho é um distúrbio: justamente a nomofobia. O nome vem do inglês no mobile phobia, que significa a fobia de ficar sem celular.

E o distúrbio tem crescido entre os goianos. “Não só aqui, mas em todo o mundo, devido ao aumento do acesso à tecnologia”, esclarece o psiquiatra. Como já reportado pelo POPULAR, o número de celulares em Goiás é superior ao número de habitantes (leia mais em quadro ao lado), conforme o levantamento da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) realizado este ano.

Linha  tênue
Há uma dificuldade, porém, de diferenciar quem possui o transtorno. A linha entre a normalidade e a obsessão é tênue. O médico psiquiatra Dhin Ally Untar explica que a maneira mais fácil de identificar o problema “é quando o comportamento compromete as funções da pessoa. Tanto familiar, como social e colaborativa. O diagnóstico é quando há sofrimento nesse distanciamento da tecnologia”.
China, Japão e Coreia do Sul já reconhecem o vício em tecnologias como um problema de saúde pública. No Brasil, o problema começa a ser reconhecido. No Rio de Janeiro fica o Instituto Delete, um dos primeiros no País a tratar de pessoas dependentes de internet.

Exagero
O coach Julio Moura relata que a relação entre seus clientes e a tecnologia mudou. “O que percebo quando vou atender, na maioria das oportunidades para vestibular ou concurso, que as pessoas passam muito tempo livre na internet, ou no celular. Exageram. E isso dificulta no estudo. Estudar hoje pela internet é um desafio. Tem muitas distrações”, conta. “E é difícil das pessoas admitirem que exista certa dependência, acham que é algo comum”, complementa.

Essa negação, segundo Julio, lembra a atitude de um dependente químico. “É um comportamento similar. Por exemplo, um alcóolatra acredita que pode parar de beber a qualquer minuto. Que domina isso, mas é justamente o contrário”, argumenta.

Para evitar exageros, o psiquiatra Dhin Ally Untar sugere deixar os aparelhos eletrônicos de lado na hora das refeições, estudos ou trabalho e até em momentos de lazer. “Tirar uma foto e postar durante um encontro com os amigos, tudo bem, o que é exagero é ficar nas redes enquanto as coisas acontecem ao redor. É preciso se desligar do mundo digital e viver o mundo real”.

Fontes: Telebrasil/IDC e médico psiquiatra Dhin Ally Untar
"Não é o tempo de uso da tecnologia que determina a doença. Mas sim o fato o indivíduo não conseguir se controlar e se sentir incomodado com a ausência da ferramenta. Ele não controla aquela obsessão de checar, ou de ficar próximo do telefone" (Dhin Ally Untar, psiquiatra)
Tratamento à base de medicação e terapia

A dependência causada pelo telefone celular pode ser a porta de entrada para outros transtornos, como a ansiedade. “É comum que os nomofóbicos tenham associados estas outras doenças. É o caso do transtorno obsessivo compulsivo, pânico, depressão e transtorno bipolar, o que vai agravando a nomofobia”, explica o psiquiatra Dhin Ally.

O principal problema, no entanto, é a fobia social. “É caracterizado pelo medo de interação com o próximo. Pessoas muitas vezes tímidas podem demonstrar também. As pessoas vão aos poucos se isolando e acabam vivendo somente o mundo virtual, tendo dificuldades de se relacionar, de se expor e até de sair em público”, relatou.

O tratamento é feito a base de medicação e terapias. “A psicoterapia, aliada ao uso de remédios, busca limitar o pensamento obsessivo de buscar o eletrônico e seus sintomas. Busca o equilíbrio”, pontua o psiquiatra.

Pedro Nunes – O Popular – www.opopular.com.br

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